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Gestão de Riscos: aspectos estratégicos e operacionais

Seminário da ANCEP discutiu gestão de riscos em Porto Alegre

Para discutir Riscos, a Diretora de Serviços e Comunicação Magdarlise Dal Fiume Germany e o consultor Luiz Eduardo Motta, da Mirador Atuarial, ministraram treinamento sobre os aspectos estratégicos e operacionais envolvidos na gestão de riscos. Realizado em Porto Alegre nesta primeira edição, no auditório da Fundação Banrisul, o treinamento integra um Seminário promovido pela ANCEP que acontecerá em outras 7 cidades do país até o final do ano.

O Seminário, que é voltado a conselheiros, dirigentes, gestores e profissionais que atuam na gestão de Planos de Previdência em áreas de Gestão de Riscos, tem como objetivo apresentar os principais conceitos para o gerenciamento de riscos estratégicos e operacionais, enfatizando aspectos relevantes de serem acompanhados e gerenciados pela Governança, Gerência e por técnicos das EFPCs (Entidades Fechadas de Previdência Complementar).

A Gestão Integrada de Riscos deve estar alicerçada na identificação, no monitoramento e no controle dos fatores de risco que impactam nos objetivos da EFPC. Transformar a informação em algo que possa dar subsídio para a tomada de decisão é uma das principais tarefas de uma boa gestão de riscos. Para isso, é preciso ter transparência e comunicação nos processos de trabalho. Aos gestores, no entanto, é imperativo “não cometer o erro de tentar monitorar todos os riscos ao mesmo tempo e da mesma forma”, de acordo com Magdarlise.

É fundamental a formulação de uma política de gestão de riscos (em alinhamento com a política de investimentos, com a definição de procedimentos internos, monitoramento e controles registrados em códigos, regimentos e manuais da entidade). Conforme explicado no treinamento, gerenciar riscos exige que se estabeleça e formalize uma estrutura de governança clara, com definição de atribuições e responsabilidades de cada agente nos diferentes níveis e práticas no que diz respeito aos riscos.

Lidar com riscos é tentar antecipar situações, prevenir. É organizar a estrutura interna da entidade para que, caso haja a incidência de algum tipo de risco, o seu impacto seja imediatamente suavizado. “Quando falamos dos aspectos ligados à Governança, por exemplo, um dos principais riscos envolvidos é uma tomada de decisão errada”, explica Magdarlise. Segundo ela, “não existe gestão de risco se ela não estiver ligada à governança corporativa”.

A governança corporativa, segundo princípios estabelecidos pela OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, possui algumas funções essenciais dentro das entidades, como assegurar a integridade da contabilidade da empresa e os processos de elaboração dos relatórios financeiros, incluindo a auditoria independente; sistemas apropriados de controle, em particular sistemas para a gestão de riscos; e um controle financeiro e operacional em conformidade com as leis e os padrões relevantes.

Outro ponto muito salientado pelos palestrantes foram as questões que envolvem as Boas Práticas das EFPCs, isto é, atuar em nome do conjunto dos participantes, patrocinadores e instituidores na gestão dos recursos e dos benefícios previstos nos planos de benefícios. Estes aspectos visam estabelecer transparência, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Nesse sentido, capacitar dirigentes e conselheiros através de treinamentos também é parte essencial da gestão.

Além disso, um dos fatores mais importantes nesse processo, para as EFPCs, é a comunicação. Ela deve ser feita em linguagem clara e direta, de forma que seja plenamente acessível ao público-alvo da entidade. Além disso, enfatiza-se a necessidade de ampliar os canais de comunicação, internos e externos, buscando sempre aproximar as entidades de seus participantes e patrocinadoras. A elaboração e implementação de um código de ética, de sistemas de informação e comunicação também são fundamentais nesta tarefa.

A estrutura de uma boa gestão de risco deve estar baseada em três pilares essenciais, chamados de linhas de defesa, sendo a primeira linha no nível da Gerência, onde os gerentes administram os riscos e têm propriedade sobre eles. A segunda linha de defesa opera no nível da Controladoria, que tem como função gerir os riscos para ajudar a desenvolver e monitorar os controles da primeira linha. Já a terceira linha, no nível da Auditoria, busca fornecer ao órgão de governança e a alta administração avaliações abrangentes com base no nível de independência e objetividade dentro da organização.

Quais são os objetivos da EFPC ou do plano? Quais os riscos que podem prejudicar o alcance dos objetivos? Como eles serão tratados ou explorados? Todo o trabalho que envolve a gestão de riscos deve ser capaz de responder a estas questões. Feito isso, a solidez e o valor agregado do negócio são fortalecidos, o processo de tomada de decisão é facilitado e a estrutura da entidade, mais dinâmica, estará apta para reagir a mudanças e, claro, a incidência dos riscos.